A arte e a cultura transformam a realidade dura na vida de muita gente, assim como fez comigo

Estou “boba” com a forma grosseira que algumas pessoas estão se colocando em relação a luta dos profissionais da arte para manter Ministério da Cultura (MinC). A questão não é o dinheiro, é o apoio merecido para o desenvolvimento da indústria que envolve a cultural e a arte que, no Brasil, é responsável por uma cadeia imensa de pessoas que sobrevivem disso. Só pra saber, a cultura e a arte representam a quinta economia na França, se aqui não é assim, é porque pensam essas ferramentas de desenvolvimento como supérfluo.

Os profissionais da arte no Brasil não têm regulamentação trabalhista direcionada para as diferentes relações que compõe as áreas da cultura e da arte. Esses profissionais não têm direito a aposentadoria, não tem renda fixa, não tem garantia de emprego, ou seja, não há regulamentações adequadas. No entanto, esse setor reponde por uma imensa cadeia produtiva que se inicia desde da confecção de instrumentos, artesãos, camareiros de teatro, professores de arte, costureiras, carpinteiros, pintores, além de músicos, produtores e contra-regras. É uma imensa massa produtiva que engloba rádio, TV, cinema, estúdios, fotografia e uma infinidade de profissionais liberais.

O MinC recebe um percentual baixíssimo de, mais ou menos, 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e é com esse aporte mínimo que consegue se fazer um “milagre” para atender uma imensa demanda que necessita de apoio para transformar em fomento palpável de retorno financeiro para todos os que estão envolvidos nesse setor da economia. Se formos comparar, ao longo dos 30 anos de existência do MinC, o governo brasileiro não deve ter aplicado nem 0,7% no Ministério, comparado ao que foi aplicado recentemente na Copa e agora nas Olimpíadas.

A falta de capacidade de enxerga na arte e na cultura, ferramentas essenciais para auxiliar a educação e a formação da identidade nacional e, principalmente, gerador de renda, chega a ser “ignorante”. Muitos países desenvolvidos praticam leis de incentivo a produção artística e cultural e isso não se trata de gastar dinheiro sem necessidade, mas de investir e apoiar em um setor de circulação e fomento de renda para muitos profissionais e suas famílias, que abarca a todos os pequenos produtores e comerciantes nos locais onde existem eventos culturais e artísticos. Isso é um fato! A cultura e a arte geram divisas para o país.
Ser artista em qualquer desdobramento da arte não é ser vagabundo, como estão tentando nos ofender. Existe uma tendência cega de chamar coisa vagabunda de arte e isso em todas as áreas de expressão da arte e cultura, mas na arte existe diferencial, personalidade e tem capacidade de gerar um sentimento de alguma expectativa e vibração em quem a recebe e a observa – a cultura e a arte geram provocações além da razão – e foi através da cultura que o Brasil voltou a atrair os olhos e os ouvidos do mundo no século passado.

Essas ferramentas, mesmo maltratadas, transformam a realidade dura na vida de muita gente, assim como fez comigo. Sem falar as milhares de ações exitosas que são feitas com arte e cultura que salvam vidas e educam, principalmente, para aqueles que mais precisam. Certamente que se houver mais apoio, quem ganha é o Brasil porque essas áreas são elementos multiplicadores.

É inegável a grande contribuição dos profissionais da cultura e da arte como uma representação POSITIVA do Brasil no exterior, que divulgam e atraem olhares para o país. Outra coisa boa que se saiba: é muito difícil o artista enriquecer vivendo de arte. Nessa área, se formos observar, em relação aos que enriquecem, com certeza é um percentual pequeno em comparação a maioria dos que trabalham nesse setor. O Minc, nas três últimas gestões, estava conseguindo corrigir e organizar muitas questões que nunca foram se quer tocadas pelas outras gestões. A complexidade que envolve a administração das relações e dos desdobramentos dos vários núcleos que compõem a produção cultural e artística são profundas.

Até agora, eu não tinha me colocado porque não gosto das grosserias e ofensas das quais se valem alguns para expressar suas argumentações prol ou contra nos atuais acontecimentos que estão gerando um verdadeiro turbilhão de emoções em todos nós, que acreditamos em novos e melhores momentos para nosso povo.

Penso que é crucial o resgate das potencialidades econômicas e a geração de emprego para trazer de volta o desenvolvimento para o país, pois, é claro que nenhum povo gosta de passar por crise, nem impedimento do presidente (a). Acho imprescindível o trabalho dos juízes e da nova geração de cidadãos brasileiros que agem e reagem em prol da democracia e contra a corrupção, para mim as duas coisas estão do mesmo lado. Sem democracia não existe combate à corrupção, e para combater a corrupção é preciso que haja democracia. Em algum lugar nós brasileiros precisamos nos encontrar.

Para mim, quero o bem do meu povo, o respeito aos seus direitos e deveres e a garantia das suas conquistas legitimadas pelas leis e a luta pelo que for bom e trouxer verdadeiras mudanças.

O POVO BRASILEIRO EM PRIMEIRO LUGAR.

A arte e a cultura transformam a realidade dura na vida de muita gente, assim como fez comigo

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